"A escada para o Reino dos Céus está escondida em tua alma. Mergulha para dentro dos pecados que estão em ti mesmo e, assim, encontrarás ali uma escada pela qual poderás ascender" Isaac de Nínive.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Obs.: Abaixo, tradução do versículo bíblico para outras línguas:

"POR ISSO A ATRAIREI, CONDUZI-LA-EI AO DESERTO E FALAR-LHE-EI AO CORAÇÃO" Oséias 2,16
_____________________________________________________________________________________________________

Music Play

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A fraqueza explicitada na Ressurreição: O olhar do Pai






Voltemos nosso pensamento ao tempo do exílio, onde o povo eleito da antiga aliança, a casa de Israel, ficou cativo em poder dos babilônicos por longos e longos anos. Imaginemos aqui o cenário de humilhações a que fora submetido em um país estrangeiro e pagão. Este povo, de fé sólida, apesar dos fracassos, saudoso de sua pátria, do templo, deslocado de sua terra, via-se atado no convívio com uma gente contrária a seus hábitos e costumes, sobretudo os religiosos, que era de onde buscava forças para continuar fiel ao seu chamado, e como forma de manter viva sua tradição, sem perder a identidade, diante do peso que o oprimia, sendo obrigado a realizar trabalhos penosos como escravo, numa terra de tormentos. Deus o humilhara. O clamor era visível em seus rostos cansados e envergados sob o peso das humilhações que duraram um pouco mais de quatro séculos, esmagados sob o poder que os aniquilava em suas convicções. Na certeza do merecimento de tantos males por causa de seus pecados e aceitos como penitência, não cessavam de implorar a Deus o socorro necessário à sua causa. A esperança era o seu alimento, ainda que Deus tardasse em socorrê-los. Estando como mortos, curvados sob a dor, Deus os conduzira aí para tocar-lhes o coração.
É neste cenário triste, permeado de sofrimentos, que surge a promessa de restauração desse povo, sinal antecipado do que entendemos hoje por ressurreição, aquela mesma trazida por Cristo. A profecia da restauração da casa de Israel se deu a partir de uma visão, a mesma que Ezequiel mencionou ter visto, um amontoado de ossos secos,[1] significando a vida sem alento desse povo que em terras estrangeiras[2] peregrinou entre a incerteza e a espera desse dia. Os séculos se passaram, muitos dos que desejavam ver o dia da restauração de sua gente já nem se encontravam vivos, passaram-se gerações.
Um dos temas que trata a visão é o do preenchimento dos ossos ressequidos com carne rejuvenescida. Acredita-se que pela ressurreição, as doenças, rugas, ou qualquer outro mal físico será extinto de cada pessoa, conformando-a, de uma vez por todas, a Cristo, como primícia dentre muitos que morreram,[3] em seu estado perfeito, como nova criatura; daí se entende algumas imagens do ressuscitado serem representadas com um aspecto mais jovem, para ressaltar esse mistério.
 
O evangelista João nos narra o episódio da aparição de Jesus aos apóstolos após sua morte,[4] oito dias depois. Note-se, o mesmo aparece trazendo consigo as marcas da paixão. – Por que Jesus insistiu em aparecer depois de ressuscitado com as chagas, visto que não lhe era mais necessário com um corpo glorioso?
Para compreender esse mistério vejamos o que nos diz o livro do apocalipse:

Eu vi também, na mão direita do que estava assentado no trono, um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.           
Vi então um anjo vigoroso, que clamava em alta voz: Quem é digno de abrir o livro e desatar os seus selos?
Mas ninguém, nem no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro ou examiná-lo.  
Eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro e examiná-lo.  
Então um dos Anciãos me falou: Não chores! O Leão da tribo de Judá, o descendente de Davi achou meio de abrir o livro e os sete selos.
Eu vi no meio do trono, dos quatro Animais e no meio dos Anciãos um Cordeiro de pé, como que imolado. Tinha ele sete chifres e sete olhos (que são os sete Espíritos de Deus, enviados por toda a terra).        
Veio e recebeu o livro da mão direita do que se assentava no trono.       
Quando recebeu o livro, os quatro Animais e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfume (que são as orações dos santos).         
Cantavam um cântico novo, dizendo: Tu és digno de receber o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste imolado e resgataste para Deus, ao preço de teu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça.[5]

O livro escrito por dentro e por fora contém os desígnios de salvação da humanidade neste mundo; o mesmo se encontra selado e ninguém fora achado digno de abri-lo, exceto o Cordeiro, figura de Cristo. Não ter acesso aos desígnios de Deus nesta vida, seria privar todos os homens do caminho que aí é indicado para a salvação, dando a entender condenação certa. Sublinhemos aqui a conduta e o estado do cordeiro, Ele está de pé e imolado; lembra-nos que o cordeiro aqui referido aponta para Aquele que está ressuscitado (de pé) e que fora sacrificado (imolado). O próprio Jesus em sua condição gloriosa, não quis se apartar da realidade dos homens a qual abraçou e se entregou, a fim de santificá-la; leva-nos consigo em Seu corpo glorioso pela ressurreição, já que fora também tocado pela miséria e fraqueza humana, no tocante ao Seu corpo, ao ascender aos céus. Seu estado de glória e humildade ao mesmo tempo sensibiliza o olhar do Pai, que ao contemplá-Lo enxerga os homens em sua fragilidade e pequenez com misericórdia a partir de então, concedendo – Lhe desatar os selos e abrir o livro.
 É desta maneira que Deus em Seu filho salva o Seu povo, reúne em torno de Si a comunidade divina a qual pertence Aquele que fora imolado, mas que vive, e com Ele, todo Seu corpo místico, homens de todas as tribos, línguas e nações, numa ligação estreita e profunda com o povo da nova e eterna aliança no Seu sangue redentor. O próprio Jesus, o Cordeiro a que se refere o texto apocalíptico exalta em Sua carne nossa miséria, restitui-nos a dignidade de filhos antes perdida, pela adoção no Seu sangue (batismo), mas pede pelo Seu exemplo que sigamos Seus passos no estreito caminho que nos leva a compaixão e entrega uns pelos outros. O caminho se torna estreito pelo fato de o amor ser uma exigência que nos leva ao esvaziamento de nossas pretensões, de nossos julgamentos, tal como viemos tratando até aqui, nos levando a compreender melhor a trajetória dos padres do deserto que absortos na contemplação desse mistério, desbravaram o caminho da solidão e das lutas contínuas.

#Do livro: "Fraquezas, um caminho para Deus" 
By Maurus



[1] Cf. Ez 37, 1-14.
[2] Terras estrangeiras  pode ser aqui entendido como: o seu deserto.
[3] Cf. 1Cor 15, 20-23.
[4] Cf. Jo 20, 24 -28.
[5] Bíblia Sagrada, Ed. Ave Maria. Ver: Ap 5, 1- 9.



Um comentário:

  1. Muito lindo esta sua página.

    Que Deus te ilumine, sempre.

    Ir. Faustina

    ResponderExcluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

# Pesquisar neste blog: