"A escada para o Reino dos Céus está escondida em tua alma. Mergulha para dentro dos pecados que estão em ti mesmo e, assim, encontrarás ali uma escada pela qual poderás ascender" Isaac de Nínive.
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Obs.: Abaixo, tradução do versículo bíblico para outras línguas:

"POR ISSO A ATRAIREI, CONDUZI-LA-EI AO DESERTO E FALAR-LHE-EI AO CORAÇÃO" Oséias 2,16
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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Os Vícios segundo a tradição Monástica





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A doutrina dos oito vícios é um capítulo interessante da psicologia monástica. Foi desenvolvida, sobretudo, por Evágrio Pôntico e Cassiano, mas aparece também em Clímaco, em Máximo Confessor e em outros. Nela se distinguem estes oito vícios: gula, luxúria, cobiça, tristeza, ira, acídia (preguiça), vaidade e orgulho.

A cada um destes oito vícios Evágrio atribui um demônio, que determina suas características. Nem todos provocam os mesmos pensamentos. Um provoca pensamentos de cobiça, outro pensamentos de orgulho. Nisto os demônios se distinguem também de acordo com sua espécie. Alguns são leves e atacam de repente - por exemplo, o demônio da luxúria. O demônio da acídia, pelo contrário, é pesado e pouco a pouco oprime a alma com sua força cada vez maior.

A estrutura dos oito vícios se dá de acordo com a tríplice divisão da alma segundo Platão. Os três primeiros vícios são atribuídos à parte dos desejos (epithymia), os três seguintes a parte excitável ou emocional (thymos), e os dois últimos a parte espiritual (nous).

Os três primeiros vícios - GULA, LUXÚRIA e COBIÇA - são instintos básicos fundamentais. Poderíamos atribuí-los a fase oral, anal e fálica no desenvolvimento da primeira infância. Estes instintos fazem parte da natureza humana, e não nos é possível simplesmente eliminá-los. Eles têm que ser integrados, é preciso que lhes seja imposta a reta medida.

Os três vícios seguintes - TRISTEZA, IRA e ACÍDIA - são estados negativos de ânimo, muito mais difíceis de ser superados. Estes estados não se deixam dominar como os instintos. O reto convívio com eles exige um equilíbrio da alma e uma maturidade interior, a que só podemos chegar quando nos ocupamos honestamente com os pensamentos e os estados de ânimo, e quando “nos abrimos” sem reservas para Deus.

Mais difícil ainda é combater os dois últimos vícios - VAIDADE e ORGULHO -, porque o espírito é o mais difícil de ser domado. Aqui é onde com mais facilidade os demônios podem enganar alguém.
A respeito dos oito vícios Evágrio fala de diferentes maneiras. Ele pode falar de impulsos e estados de ânimo, ou de pensamentos de cobiça ou de ira, ou então falar do demônio da cobiça, do demônio da ira. Ele, por conseguinte, personifica o vício. É como se fosse um interlocutor autônomo, um demônio que tenta alguém e que procura impeli-lo para um instinto, para uma emoção ou para uma cegueira espiritual. E cada um dos oito demônios possui sua técnica própria. O fato de identificar os demônios com os oito vícios mostra mais uma vez que na demonologia de Evágrio não se trata tanto de fenômenos extraordinários, como possessão, mas sim do elemento tenebroso e mau que cada pessoa experimenta em si, da luta contra as falsas atitudes interiores que procuram se estabelecer em nós, desta maneira criando obstáculos a nossa abertura para Deus. Evágrio descreve um por um os oito demônios que se encontram por trás dos diversos vícios.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Oração da Tarde - Laudes Vespertinae




Ofício de Vésperas* 
(Em Francês)



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* Louvor da Tarde. É o nome eclesial que se dá à oração que se faz ao cair da tarde, Laudes Vespertinae.
 
Já no Judaísmo antigo, os crentes se reuniam para a oração matutina e vespertina, e tinham salmos e cânticos adequados a essas horas. Também os cristãos, inicialmente, talvez por devoção pessoal e, mais tarde, como oração oficial da comunidade, organizaram a oração matutina de Laudes, sobretudo a partir do século IV.

O último dos salmos desta hora toma-se de entre os chamados laudes ou louvores (sobretudo, os Salmos 148-150), que assim dão o seu tom laudativo, enquanto que o primeiro costuma ser um dos que falam da manhã ("Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro […]").

O Concílio recomendou que "as Laudes, como oração da manhã, e as Vésperas, como oração do entardecer, duplo eixo do ofício quotidiano segundo a venerável tradição de toda a Igreja, devem considerar-se as Horas principais e celebram-se como tais" (SC 89), e, sendo possível, com a participação do povo, de modo que se convertam em oração da comunidade cristã (cf. IGLH 40).

"O Ofício de Laudes destina-se a santificar o tempo da manhã… Esta Hora, recitada ao despontar da luz de um novo dia, evoca também a Ressurreição do Senhor Jesus, a luz verdadeira que ilumina todos os homens, o “Sol de Justiça”, o 'Sol nascente que vem do alto'" (IGLH 38).

Na estrutura actual de Laudes (cf. IGLH 41-45) reflectem-se bem estas conotações da luz, da ressurreição, do início da jornada: nos hinos, nos salmos, nas leituras breves, no cântico do Benedictus (o sol que nasce do alto), nas preces de invocação e oferecimento da jornada, e na oração conclusiva, depois do Pai-Nosso. Antes, se não se fez já no ofício de leitura, pode-se rezar ou cantar o Salmo Invitatório.


# Fonte: Liturgia das Horas

Oração da Manhã - Laudes Matutinae



 Ofício de Laudes*
(Em Francês) 


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* Em latim, significa 'louvores'. É o nome que se dá à oração eclesial que se faz pela manhã, laudes matutinæ.

Já no Judaísmo antigo, os crentes se reuniam para a oração matutina e vespertina, e tinham salmos e cânticos adequados a essas horas. Também os cristãos, inicialmente, talvez por devoção pessoal e, mais tarde, como oração oficial da comunidade, organizaram a oração matutina de Laudes, sobretudo a partir do século IV.

O último dos salmos desta hora toma-se de entre os chamados laudes ou louvores (sobretudo, os Salmos 148-150), que assim dão o seu tom laudativo, enquanto que o primeiro costuma ser um dos que falam da manhã ("Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro […]").

O Concílio recomendou que "as Laudes, como oração da manhã, e as Vésperas, como oração do entardecer, duplo eixo do ofício quotidiano segundo a venerável tradição de toda a Igreja, devem considerar-se as Horas principais e celebram-se como tais" (SC 89), e, sendo possível, com a participação do povo, de modo que se convertam em oração da comunidade cristã (cf. IGLH 40).

"O Ofício de Laudes destina-se a santificar o tempo da manhã… Esta Hora, recitada ao despontar da luz de um novo dia, evoca também a Ressurreição do Senhor Jesus, a luz verdadeira que ilumina todos os homens, o “Sol de Justiça”, o 'Sol nascente que vem do alto'" (IGLH 38).

Na estrutura actual de Laudes (cf. IGLH 41-45) reflectem-se bem estas conotações da luz, da ressurreição, do início da jornada: nos hinos, nos salmos, nas leituras breves, no cântico do Benedictus (o sol que nasce do alto), nas preces de invocação e oferecimento da jornada, e na oração conclusiva, depois do Pai-Nosso. Antes, se não se fez já no ofício de leitura, pode-se rezar ou cantar o Salmo Invitatório.


# Fonte: Liturgia das Horas

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Primícias do monaquismo Cristão - Origem




"...esses homens estão longe de si mesmos, como ébrios de bebida, ébrios em espírito de mistério e de Deus".              Pseudo-Macário, homilias espirituais.





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O termo Padres do Deserto inclui um grupo influente de eremitas e cenobitas do século IV que se estabeleceram no deserto egípcio. 

As origens do monaquismo oriental se encontram nessas ermidas primitivas e comunidades religiosas. Paulo de Tebas foi o primeiro eremita do qual se tem notícia, a estabelecer a tradição do ascetismo e contemplação monástica, e Pacômio da Tebaida é considerado o fundador do cenobitismo, do monasticismo primitivo. 

Ao final do terceiro século, contudo, o venerado Antão do Egito orienta colônias de eremitas na região central. Logo, ele se torna o protótipo do recluso e do herói religioso para a Igreja oriental - uma fama devida em grande parte à vasta louvação na biografia de Atanásio sobre ele.
Esses primitivos monásticos atraíram um grande número de seguidores aos seus retiros austeros, através da influência de sua simples, individualista, severa e concentrada busca pela salvação e união com Deus. 

Os Padres do Deserto eram frequentemente solicitados para direção espiritual e conselho aos seus discípulos. Suas respostas foram gravadas e colecionadas num trabalho chamado "Paraíso" ou "Apotegmas dos Padres". 




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* (Por Emily K. C. Strand, tradução Jandira)



terça-feira, 13 de agosto de 2013

Olha para estrela e invoca Maria




Respice stellam, voca Mariam!



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“Tu que compreendes o quanto, neste mundo passageiro, somos muito mais como náufragos lançados de um lado para outro por tempestades e ondas do que como alguém que anda em terra firme, não desvies o olhar para longe desta estrela, se tu não queres ser oprimido pelas tempestades.

Se os ventos das tentações surgirem, se encontrares os rochedos das tribulações, olha para a estrela, invoca Maria.

Se fores abatido pelas ondas do orgulho, da ambição, da maledicência, da rivalidade, olha para a estrela, invoca Maria.

Se a ira ou avareza, ou desejos desordenados castigarem o navio de tua mente, olha para a estrela, invoca Maria.

Se preocupado com o tamanho de teus crimes, confuso com a consciência de teu grande erro, se aterrorizado pelo medo da justiça divina começas a ser engolido no abismo da tristeza, pela voragem do desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas incertezas pensa em Maria, invoca Maria. Que ela nunca abandone os teus lábios, nem o teu coração; e para obteres a ajuda de sua oração, nunca esqueças o exemplo de sua vida. Se a segues, não te podes desviar; se lhe rezas, não te podes desesperar; se pensas nela não podes errar. Se ela te ampara, não cais; se ela te protege, nada temes; se ela te guia, não te cansas; se ela te é propícia, alcançarás a meta… ”*
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– Lembrai-vos, ó piedosíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer, que algum daqueles que recorreram à vossa proteção, imploraram o vosso auxílio fosse por vós desamparado. Animado, pois, eu com igual confiança, a vós, ó Virgem, entre todas a singular, como a uma mãe recorro, de vós me valho, e gemendo sob o peso dos meus pecados, prostro-me aos vossos pés. Não rejeiteis as minha súplicas, Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Amém.

 

Oremos

Ó Deus, que no mistério da assunção da Virgem Maria contemplaste em seu corpo os anseios, as alegrias e tristezas de toda criatura humana. Concedei propício, nós vos suplicamos, que por sua materna intercessão estenda sobre nós o vosso olhar misericordioso, para que alcançando já aqui na terra gozar dos favores que o seu filho unigênito conquistou por toda humanidade na Cruz, possamos alegrar-nos eternamente convosco no Céu.  Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém.

sábado, 6 de julho de 2013

A Sabedoria através das Escrituras



Sentença do Rei Salomão   I Reis 3,5-28.



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Livros Históricos (AT)


# Fala aos homens inteligentes a quem enchi do espírito de sabedoria, para que confeccionem as vestes de Aarão, de sorte que ele seja consagrado ao meu sacerdócio. Êxodo 28, 3.

# Eu o enchi do espírito divino para lhe dar sabedoria, inteligência e habilidade para toda sorte de obras... Êxodo 31, 3.

 # Associei-lhe Ooliab, filho de Aquisamec, da tribo de Dã. E dou a sabedoria ao coração de todos os homens inteligentes, a fim de que executem tudo o que te ordenei. Êxodo 31, 6.

 # ...encheu-o de um espírito divino para dar-lhe sabedoria, inteligência e habilidade para toda sorte de obras... Êxodo 35, 31.

# Josué, filho de Nun, ficou cheio do Espírito de Sabedoria, porque Moisés lhe tinha imposto as suas mãos. Os israelitas obedeceram-lhe, assim como o Senhor tinha ordenado a Moisés. Deuteronômio 34, 9.

# Todo o Israel, ouvindo o julgamento pronunciado pelo rei, encheu-se de respeito por ele, pois via-se que o inspirava a sabedoria divina para fazer justiça. I Reis 3, 28.

# Deus deu a Salomão a sabedoria, uma inteligência penetrante e um espírito de uma visão tão vasta como as areias que estão à beira do mar. I Reis 4, 29.

# Sua sabedoria excedia a de todos os orientais e a de todo o Egito. I Reis 4, 30.

# De todos os povos vinham pessoas ouvir a sabedoria de Salomão, da parte de todos os reis da terra que tinham ouvido falar de sua sabedoria. I Reis 4, 34.

# Hirão, ouvindo a mensagem de Salomão, encheu-se de grande alegria, e disse: Bendito seja o Senhor, que deu a Davi um filho cheio de sabedoria para governar esse grande povo! I Reis 5, 7.

# O Senhor tinha dado sabedoria a Salomão, conforme prometera. Houve paz entre Hirão e Salomão, e fizeram aliança entre si. I Reis 5, 12.

# Quando a rainha de Sabá viu toda a sabedoria de Salomão, a casa que ele tinha feito... I Reis 10, 4.

# ...e disse ao rei: É bem verdade o que ouvi a teu respeito e de tua sabedoria, na minha terra. I Reis 10, 6.

 # Eu não quis acreditar no que me diziam, antes de vir aqui e ver com os meus próprios olhos. Mas eis que não contavam nem a metade: tua sabedoria e tua opulência são muito maiores do que a fama que havia chegado até mim. I Reis 10, 7.

# Felizes os teus homens, felizes os teus servos que estão sempre contigo e ouvem a tua sabedoria! I Reis 10, 8.

terça-feira, 25 de junho de 2013

O Louvor como sustentação do mundo







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"Ut in omnibus glorificetur Deus"


Para compreendermos os mistérios divinos temos sempre que, a partir de um esforço pessoal e interior (Graça), tentar enxergar para além dos acontecimentos à nossa volta, e que por certo carregam traços do Criador de todas as coisas.

Como já disse Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino retomou em seus estudos, lemos: “A Graça supõe a natureza”. Esta mesma sentença implica de nossa parte uma abertura ainda maior em relação ao desvelar divino que não exclui jamais a corelação entre Deus e Sua criatura, e que de forma toda misteriosa se deixa ser compreendido no chão, no que há de mais profundo de toda a realidade humana.

A questão do ‘louvor’ está aqui atrelada ao elogio que podemos tecer sobre alguém ao se tratar de uma ação que nos cause admiração ou até prazer. É algo que nos toca e nos convida de dentro – por ser o que há de mais verdadeiro em nós – nos impele pra fora, através da palavra, ao reconhecer numa ação um bem esperado, ou até mesmo que não pudéssemos esperar e que repentinamente tivesse surgido, atraindo toda a nossa atenção, sem deixar de excluir nossas relações humanas quotidianas e ir para além do que nossas experiências possam nos dizer. De certo, essa também é um dado que nos revela pistas para a compreensão de algo entrelaçado ao divino... 

Imaginemos, portanto, alguém que esteja à frente de seu trabalho, em seu setor específico, onde as demandas lhe sobrevêm constantemente por parte de seus subordinados, e, que, por realizá-las muito bem, este mesmo receba o elogio que lhe é devido por sua capacidade em tudo que faz. Com toda certeza não é difícil de fantasiar a cena, de como o mesmo, já exaltado como bom no que faz, trabalhará ainda mais por atender de forma bem mais acentuada a todos os pedidos que a ele chegam com o intuito de realizá-los cada vez melhor. É algo estimulador, convidativo ao mesmo tempo, que o chefe, ou vice-versa, continue perseverante em atenta disposição ao que possa dar do que existe de melhor em si mesmo e poder dessa maneira disseminar o bem-estar entre todos os que colaboram numa mesma empresa, ou tipo de governo; e o bem-estar está sempre voltado para a imagem que se pode passar em vista de seus clientes ou súditos.

domingo, 2 de junho de 2013

Heranças do Deserto Cristão







As comunidades contemplativas que temos conhecimento hoje têm por fundamento a vasta experiência adquirida dos padres e mães do deserto. Algumas se concretizaram do desejo de viver a mesma forma de seguimento, sob a orientação desses homens e mulheres que alcançaram pela austeridade de vida um conhecimento profundo do que é o homem, ao passo que ascendiam em sua intimidade com Deus.

sábado, 11 de maio de 2013

Na Escola do Verbo Encarnado





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Com a inauguração do Cristianismo, o mundo pôde perceber, respirar um novo ar, na medida em que gradativamente se abria à uma grande novidade, ‘a exaltação do homem e sua dignidade’, com o surgimento do Filho de Deus na terra. O salmista de forma toda particular e precisa já o mencionara quando inspirado em suas preces escreveu:
 
Está perto a salvação dos que o temem, e a glória habitará em nossa terra”.
Sl 84,10.

E continua:

A verdade e o amor se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus”    Sl 84,11.

Estes versículos podem nos dar pistas para uma reflexão na compreensão do que foi o homem no passado, e de certa forma nos abrir os olhos para quem é o homem no presente ao passo que nos dobramos em questionar sobre o que será do mesmo no futuro a partir do advento de Cristo, mais precisamente de Sua mensagem libertadora em nosso meio, como de Seu projeto ao longo dos séculos, até os nossos dias.

A partir de um olhar que contempla a história humana presente, podemos dizer que o homem de alguma forma chegou, embora não ainda de forma completa, ao que Deus realmente sonha ao pensar na humanidade. Se por um lado existe ainda um certo tipo de mal, proveniente do egoísmo no coração do homem a ser sanado, por outro, podemos denotar mesmo que a passos lentos, o progresso do mesmo em vista do bem que contemple o homem todo em suas reais necessidades, quer materiais ou espirituais.

sábado, 4 de maio de 2013

Espiritualidade Pascal Cristã e sua origem



Dom Emanuel d’Able do Amaral, OSB*




A Espiritualidade Pascal e a Iniciação Cristã (1)

Os primeiros séculos da vida cristã foram marcados por uma grande espiritualidade. No alvorecer do cristianismo as comunidades foram marcadas por uma espiritualidade pascal. Ao lermos com atenção os escritos do Novo Testamento e os primeiros textos cristãos, percebemos a força da espiritualidade nascida do evento da ressurreição do senhor. A teologia da Igreja primitiva é, portanto, uma teologia pascal. Por isso mesmo, o dia da iniciação cristã era considerado o mais importante da vida de um cristão. Era o dia de seu nascimento para Deus e a convicção de sua pertença à comunidade dos eleitos, que se reunia semanalmente para celebrar a ressurreição de Jesus Cristo.

Essa espiritualidade era marcada pela alegria, porque nascida no contexto pascal. Era também uma espiritualidade missionária, porque os primeiros cristãos sempre anunciavam, com suas próprias vidas, a Boa Nova. Portanto, essa espiritualidade pascal era carregada de grande dinamismo, transmitida pela palavra e pelos atos dos primeiros cristãos, e capaz de transformar pessoas e sociedades inteiras. 

A iniciação cristã, que compreendia a recepção de três sacramentos – Batismo, Eucaristia e Confirmação – era realizada na noite da Vigília Pascal e compreendia a base sobre a qual era construída toda a vida espiritual e eclesial dos primeiros cristãos.  A partir dessa celebração o batizado devia expressar a sua conversão a Cristo por palavras e atos, mudando radicalmente de vida e deixando transparecer para todos a vida nova emergida das fontes batismais.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Contextualização pessoal da Palavra



A Palavra na história pessoal vivida. Momentos de abertura e fechamento à voz interior: Um relato concreto*:





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Com que coragem, eu, um jovem monge, desprovido daquela autoridade credenciada pela experiência de fé de anos e anos construída no natural e sempre novo cotidiano monástico, aventura-se a tornar conhecida minha intimidade com Deus por meio de Sua Palavra?

Respondo que, a única autoridade que se possa invocar para falar a outrem é o da ‘busca’ e o da ‘verdade’. Pela primeira, ainda que não seja longa, tem sua real experiência de vida. Pela segunda, é permitido a tal jovem monge dar testemunho de sua história pessoal de fé e meditação na perene atualidade da Palavra de Deus: A Sagradas Escrituras. Por ambas, se realiza aquela busca mútua de Deus para com sua criatura predileta que é o homem, e do mesmo para Deus que é a Verdade. 

É, pois, a partir dessa mútua procura entre Deus e o homem, a qual é sempre precedida por Ele – como nos atesta a Sagradas Escrituras e seguida fielmente pelo Magistério ao longo dos séculos – é que se inicia esta minha trajetória de fé, de busca, o que não é senão minha resposta à Palavra que se auto-revela em minha particularidade, e, se autorrevelando, me torna claro os Seus desígnios, me concedendo a partir de minha abertura à graça de responder a Sua Vontade.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

A oração que brota do coração



A Oração de Jesus*





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1. O CONTEXTO ECLESIAL  TEOLÓGICO/SACRAMENTAL:


Muito importante para compreender esta oração é situá-la em seu contexto teológico e eclesial: o hesicasta não está além da Igreja, ele se centra na Igreja, se faz integralmente um homem da Igreja, capaz de “fazer eucaristia em todas as coisas” como pedia o Apóstolo (I Tes 5,18). Que o hesicasmo constitui a contrapartida cristã do yoga que re-situa, numa atitude propriamente de reencontro pessoal e de graça, uma exploração da interioridade que também as espiritualidades asiáticas praticam, é mais que provável. E isto se deve à estrutura mesma do homem, criado à imagem de Deus.

Voltaremos a falar sobre isto. Porém, posto que só Cristo pode recapitular todas as coisas e colocar tudo em seu verdadeiro lugar, o hesicasmo aparece como fundamentalmente crístico, como uma ascese cujo fim é a tomada de consciência atuante da Igreja, Corpo de Cristo, Templo do Espírito Santo e Casa do Pai...


A) É NECESSÁRIO, EM PRIMEIRO LUGAR, RECORDAR ALGUMAS APROXIMAÇÕES TEOLÓGICAS:

Quando, no Ocidente, pensamos na noção de natureza, o fazemos através de uma sensibilidade filosófica modelada pelo tomismo tardio, logo, pelo dualismo cartesiano, finalmente, pelas ciências contemporâneas que reabilitam - contra as ciências humanas - esse "paradigma perdido" a partir dos dados da biologia, da ecologia e da etología. Assim, cada vez, temos a impressão de que a graça vem juntar-se à natureza para contrariá-la ou aperfeiçoá-la... No Oriente cristão, me parece, a graça é sentida como presente em tudo o que existe. A verdadeira natureza dos seres e das coisas é justamente essa transparência à graça, esse dinamismo de união com as energias divinas. Pois, a graça é incriada, é Deus mesmo que se faz participável voluntariamente, permanecendo, ao mesmo tempo, o Totalmente Outro, o Inacessível.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Lectio Divina como escola de oração





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A escola de Oração entre os Padres do Deserto*



A Escritura, escola de vida:

A vocação de Antão, como nos foi descrita por Atanásio em sua ‘Vida de Antão’, é bem conhecida. Certo dia o jovem Antão, que havia sido criado numa família cristã da Igreja de Alexandria (ou ao menos na região de Alexandria) e que havia portanto escutado as suas Escrituras serem lidas desde sua infância, entra numa igreja e é particularmente movido pelo texto da Escritura que ouve sendo lida: a história da vocação do jovem rico: “Se quiser ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e depois, segue-me; terás um tesouro nos céus” (Mt 19,21 Vit. Ant. 2).

Antão sem dúvida havia escutado este texto muitas vezes antes: mas naquele dia a mensagem o acerta com mais força, e recebe-a como um chamado pessoal. Responde, então ao chamado, vende a propriedade da família - que era bastante considerável - e distribui os lucros desta venda aos pobres do vilarejo, conservando só o suficiente para manter sua irmã mais nova por quem é responsável.

Pouco depois, ao entrar na igreja de novo, ouve outro texto do Evangelho que o afeta tanto quanto o primeiro: “Não vos preocupeis com o amanhã” (Mt 6,34: Vit. Ant. 3). Este texto também vai direto ao seu coração como um chamado pessoal. Confia assim sua irmã a uma comunidade de virgens (tais comunidades existiam há muito), liberta-se de tudo o que fica com ele e assume uma vida ascética, próximo à sua aldeia, sob a orientação dos ascetas da região.

Esta história mostra claramente a importância e o significado que a Escritura tinha entre os Padres do Deserto. Antes de tudo, era uma escola de vida. E porque era uma escola de vida, era também uma escola de oração para os homens e as mulheres que desejavam fazer de sua vida uma oração contínua, como a Escritura lhes pedia.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Sob o signo da Cruz





“In hoc signo vinces”




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A Cruz foi um dos primeiros sinais inventados pela sabedoria divina mais antigos, e, representada desde longo tempo, já há muito séculos antes da inauguração de uma nova era que despontava com o novo anuncio trazido por Jesus no Novo Testamento.

Ela esteve presente no paraíso, simbolizada pela ‘Árvore’ (Gn 2,9) contida no meio do jardim do Éden, e em outro lugar aquela que trazia consigo o fruto do conhecimento do bem e do mal (Gn 3,3); esteve presente nos tempos de Noé através da ‘Arca’ (Gn 6,14), quando do extermínio de uma multidão de pessoas e gerações, e, que, por mandado de Deus, fora construída com o intuito de salvar os fiéis das águas do dilúvio que dissipava todo erro e engano daquele tempo. No decorrer da travessia do povo hebreu no Egito, a mesma fora representada por uma ‘Haste’ (Nm 21,8) de onde pendeu a serpente de bronze que curaria a todos do veneno impetrado no mesmo por conta de sua falta de fé expressa na agitação de suas murmurações.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Da paciência e da força = apoftegmas




"Aquele que perseverar até o fim será salvo" 
                                                Mt 24, 13





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1. O abade Antão, quando residia no deserto, caiu em acédia e em grande obscuridade de pensamentos; disse ele a Deus: “Senhor, quero ser salvo, mas meus pensamentos não me permitem; que farei nesta minha aflição? Como serei salvo?”. Um pouco mais tarde levantou-se e saiu da cela. Percebeu então que alguém parecido consigo estava sentado e trabalhava, depois afastava-se da obra e rezava; sentando-se novamente trançava uma corda e se erguia ainda para rezar. Era um anjo do Senhor que se enviara a Antão para sua correção e salvaguarda. Escutou o anjo lhe dizer: “Faze o mesmo e serás salvo!” A tais palavras foi tomado de grande gozo e confiança. Agindo deste modo operava sua salvação. (Antão, 1).

2. Um irmão interrogou o abade Agatão: “Tenho uma ordem a executar, mas num sítio onde terei de pelejar bastante. Quero ir para obedecer, mas temo a guerra”. Respondeu-lhe o ancião: “Em teu lugar Agatão cumpriria a ordem e ganharia a guerra”. (Agatão, 13)

3. O abade Amonas dizia: “Passei quatorze anos na Cítia, e orava a Deus dia e noite para me dar a força de vencer a cólera”. (Amonas, 3).

4. O abade Bessarião dizia: “Fiquei de pé quarenta dias sem dormir e quarenta noites sobre espinhos”. (Bessarião, 6).

5. Um irmão, que vivia como anacoreta, estava turbado. Ele foi até a morada do abade Teodoro de Farméia e lhe declarou sua inquietação. Disse-lhe o ancião: “Vai, conserva a alma na humildade, sê submisso aos outros e vive com eles”. Ele partiu para a montanha e foi viver com outros. Depois retornou ao ancião e lhe disse: “Não encontrei o repouso vivendo entre os homens”. Disse-lhe o ancião: “Se não encontras repouso nem na soledade nem na companhia dos irmãos, por que vieste a ser monge? Não fora para suportar penas? Mas dize-me: há quanto tempo vestes o hábito?” – “Oito anos”, respondeu ele. Replicou o ancião: “Crê em mim, eis que o visto há sessenta anos e não houve um dia de repouso para mim, enquanto que tu o queres após oito anos?” Ao escutar isso partiu reconfortado. (Teodoro de Farméia, 2).

sábado, 1 de setembro de 2012

Atitude Orante por intermédio da Palavra







“Vossa Palavra é luz que ilumina meus passos, é lâmpada em meu caminho” 
Sl 118, 105.      


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Existe uma diferença entre Palavra de Deus escrita – como um dado histórico passado – e Palavra de Deus revelada, ou seja, aquela que é confrontada com a história presente, na qual a pessoa está inserida, dando-se aí como concretização da Palavra de Deus pessoal ou comunitária à sua compreensão.
A Palavra escrita é um dado importante ao compararmos os feitos que Deus outrora realizou, numa época específica, para um povo específico, sob contexto similar ou diferente de hoje, e que nos leva a direcionar o nosso entendimento ao encarnar a mesma no aqui e  agora.
Para os antigos monges, era imprescindível e lhes bastavam por excelência o contato assíduo com a leitura sagrada, ou ‘lectio divina’, que, ruminada ao longo do tempo chegavam à compreensão por meio da abertura gradativa que se dava pela experiência pessoal no decorrer do dia, ou até mesmo dos anos, logo fossem capazes de apreender e entender a Palavra de Deus pela acolhida em seu interior; sendo assim, a Sagradas Escrituras era confrontada e se misturava com a própria vida, surtindo o efeito esperado com o alargar do espírito e o dilatar do coração.
Persuadido pelo exemplo e experiências anteriores de monges - que bem antes já viviam nos desertos - contatamos que em São Bento não fora diferente; o importante foi sempre manter o contato extenso e assíduo com as divinas Escrituras, ainda que sem muita compreensão no momento, mas certo de que feito na perseverança ia se revelando no coração o entendimento do mistério divino que consistia exclusivamente no confronto entre a leitura escrita com a realidade pessoal vivida como  garantia do desvendar das revelações de Deus.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O Conhecimento por meio da Fé



Por Ir.Bruno Claudionor, O.Cist.*




Aos olhos de muitos, a mística especulativa desenvolvida durante a Idade Média pelos monges em seus conventos ou mosteiros, serviu apenas como pedra de tropeço para o crescente desenvolvimento filosófico-teológico-dialético neste mesmo período. Se por um lado esta concepção tem seu teor de verdade, por outro, está longe de corresponder a toda realidade. Com efeito, se é verdade e inegável que coube aos filósofos e teólogos dialéticos protagonizar toda atividade filosófica e teológica medieval, porque de fato, cabia a eles tal protagonização, não menos verdade é a importância e contribuição dada pelos místicos especulativos, seja pelos seus próprios modos de ser, de viver, seja pelos seus escritos.

Bernardo de Claraval, nascido no ano de1090 em Dijon, França, inseri-se nesta mística especulativa.

A fé enquanto saber seguro da realidade divina, segundo São Bernardo, vai constituir o alicerce do trabalho que se apresenta.

Bernardo não escreveu nenhum tratado especificamente sobre a fé, por isso, mesmo sendo toda sua obra considerada uma especulação mística, o que não é outra coisa senão o fruto de sua inabalável fé, fica difícil compreender a questão da fé como saber divino, fora daquela velha e conhecida problemática entre fé e razão que tão profundamente animou a discussão teológico-filosófica durante toda Idade Média. Por isso, seguindo um método de estudo, primeiro é dado ênfase ao pensamento de São Bernardo no contexto da Idade Média, e em seguida, é feito o aprofundamento do tema em estudo. Ciente dos nossos limites para esse trabalho e tentando responder às questões apresentadas, esperamos ao menos mostrar a importância do nosso estudo no alargamento e integração dos horizontes teológicos e na pesquisa sobre São Bernardo.  

Mestre por excelência da mística, São Bernardo mesmo pertencendo ao período pré-escolástico, rejeita completamente o método e a concepção de teologia e filosofia usados pelos filósofos e teólogos de sua época. Enquanto monge, ele escreveu primeiro para os “seus”. Porém, assim como suas atuações, os seus escritos, partindo de pressupostos universais, também ultrapassaram os claustros e atingiram os mais diversos públicos, desde o âmbito eclesial até à sociedade de um modo geral. Mas, ao rejeitar eficientemente o método dialético racional teológico-filosófico, qual método Bernardo usou para a construção de seu pensamento? Quais exatamente as linhas deste pensamento capaz de dar início a todo um movimento que se desenvolveu no curso dos séculos seguintes.  À primeira vista, ao menos assim parece tanto o método quanto o pensamento Bernardino relaciona-se com sua concepção de filosofia, que sendo decorrente da experiência claustral, é bem clara e diferente comparada com a dos filósofos de seu tempo. Diz ele: “A minha filosofia é conhecer Jesus, e Jesus crucificado”.  Sendo Deus para Bernardo a própria Sabedoria, este conhecer Jesus significa, pois, conhecimento ou amor a Sabedoria considerado indistintamente como busca da sabedoria, busca de Deus ou amor a Deus proporcionado pela fé:

“O que é Deus? Ele é ao mesmo tempo, comprimento, largura, altura e profundidade... Esse comprimento, o que ele é? A eternidade, pois esta é tão longa que não tem limites seja quanto o lugar, seja quanto ao tempo. É Deus também largura? E essa largura, que é ela senão a caridade que se estende até o infinito? Deus é altura e profundidade; e por essa altura deveis entender seu poder; e por profundeza, sua sabedoria. Ó sabedoria cheia de poder que chega a todos os recantos com força. Ó poder cheio de sabedoria que tudo dispõe com doçura”.

domingo, 29 de julho de 2012

O hesicasmo e a oração de Jesus




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A comunidade apostólica, retomando uma tradição vétero-testamentária, dedicou, desde o início, uma atenção toda particular Ao Nome que o Filho de Deus assumiu no momento da Sua encarnação: JESUS, que significa ‘Deus SALVA’. Além disso, três textos colocam em evidência a veneração da Igreja primitiva para com o nome de Jesus: Fl 2,9-10; At 4,10-12; Jo 16,23-24.

Todavia, a Oração do Coração, enraizada no Novo Testamento, foi assumida por uma corrente própria da espiritualidade oriental antiga que foi chamada de hesicasmo. O nome provém do grego hesychìa que significa: calma, paz, tranquilidade, ausência de preocupação.

O hesicasmo pode ser definido como um sistema espiritual de orientação essencialmente contemplativa que busca a perfeição (deificação) do homem na união com Deus através da oração incessante.
Todavia, o que caracteriza tal movimento é, seguramente, a afirmação da excelência ou da necessidade da própria hesiquia, da quietude, para chegar à paz com Deus. Num documento do mosteiro de Iviron do Monte Athos, lê-se esta definição:

“O hesicasta é aquele que fala somente com Deus e reza sem cessar”.

Os hesicastas, inserindo-se na tradição bíblica, exprimiram a experiência da oração contemplativa através da invocação e da atenção do coração ao Nome de Jesus, para caminharem na Sua presença, serem libertados de todo pecado e permanecerem no suave repouso de Deus à escuta da Sua palavra silenciosa.

A história do hesicasmo começa com os monges do deserto no Egito e em Gaza. “A nós, pequenos e fracos, não nos resta outra coisa senão refugiar-nos no Nome de Jesus”, disse um deles. Depois, se firma com o mosteiro do Sinai, com São João Clímaco. Um expoente máximo é, seguramente, Simeão, o novo Teólogo. Renascerá no Monte Athos no século XIV.

sábado, 26 de maio de 2012

Aprender a rezar com os Salmos



A oração como parte integrante no mistério do Corpo Místico de Cristo





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Foi da tradição judaica que a Igreja – ou cristianismo – conservou o costume de rezar tendo como modelo os salmos. 

Jesus como um bom judeu também os repetiu em seus lábios quando recolhido para rezar, nas peregrinações, no templo, nas sinagogas até no momento crucial de sua passagem desse mundo no alto da Cruz. 

Em suma, toda a oração dos Salmos é um resumo do mistério de Cristo que se une a Sua Igreja, pré-anunciada desde antes pelos profetas numa perfeita relação com o povo da promessa antiga, até de se ver concretizada em Jesus em vista de Seu novo povo, nascido de Seu lado aberto pela lança. 

Assim repetimos com o salmista: 

“Tende piedade de mim, Senhor, porque desfaleço; sarai-me, pois sinto abalados os meus ossos. Minha alma está muito perturbada; vós, porém, Senhor, até quando?... Voltai, Senhor, livrai minha alma; salvai-me, pela vossa bondade” (Sl 6,3-5).

Para os que têm o hábito de rezar o saltério, seja em comunidade ou em particular, vemos aqui um salmo típico que se compreende pela súplica daquele que busca o socorro em uma grave doença.

É importante ressaltar aqui que, o mistério do Corpo Místico de Cristo une a comunidade dos batizados em um só corpo, onde Cristo é a cabeça. Os padecimentos de um só membro do corpo torna enfermo todo o restante, uma vez que estamos unidos por meio de Cristo. Sendo assim, por mais que as palavras do salmista acima citadas não me caibam naquele determinado momento, temos a certeza de que alguém – ‘no Corpo Místico’ – está passando pela mesma experiência, e dessa forma podemos emprestar nossa voz nos colocando no lugar de tal pessoa; Deus o sabe bem melhor que nós. 

Se por um lado se denota nos versículos do salmo apresentado acima a presença contida de um mal físico real, por outro ela pode ser também entendida como um mal no espírito, ou externo em outros casos, quando se refere à perseguição, como é o caso das menções de vinganças em que Deus vem em auxílio daqueles que n’Ele se confiam fazendo-lhes justiça e que são conhecidos como ‘precatórios’.
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